História

A Casa do Patriarca é uma casa senhorial que pertence a família há cinco gerações.

Foi comprada aos Condes da Atalaia em 1892 por Dr. António Zagallo Gomes Coelho que era médico de Vila Nova da Barquinha, quando veio morar para a Atalaia com sua mulher Maria Luísa Covacich Lamas e alguns dos seus filhos, após a família da mulher ter vendido a Quinta da Cardiga.

A Casa do Patriarca desde a sua construção, que data de 1669: conforme o cronista Conde Lourenço Magalotti, a Atalaia e as suas cercanias mereceram esta descrição:” (…)Atalaia, fora da qual se vê por acabar um grande palácio quadrado de boa e nobre arquitectura, e que é do conde que tem por título o nome da dita povoação. Aqui os campos circunvizinhos não estão tão cultivados, mas em troca são maravilhosamente adequados a caçadas, sendo da esterilidade da terra abundante recompensa a multiplicidade dos animais que aí se encontram.” até à presente data sofreu muitas alterações. No entanto, a sua traça exterior manteve-se sempre inalterável.

Ao criar-se o Turismo Rural nesta casa, houve o cuidado de ter em atenção que ela continha toda uma história e tradição que não deveriam ser esquecidas, facto pelo qual os actuais proprietários têm vindo desde o início compilando toda a matéria referente ao historial, bem como de tudo o que com ela se relaciona.

Deste modo querendo homenagear o segundo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Manuel da Câmara, foi escolhido, aquando da criação do Turismo Rural o nome de Casa do Patriarca.

O Cardeal Patriarca nasceu nesta casa no início do ano da graça de 1686, tendo sido baptizado no dia seis do mês de Janeiro do mesmo ano. Era filho do quarto Conde da Atalaia D. Luiz Manoel de Távora e de D. Francisca Leonor de Mendonça. Foi eleito Patriarca de Lisboa em 1754. e só voltou para a Atalaia para passar a última parte da sua vida com sua sobrinha, D. Constança Manuel, marquesa de Tancos, que na data do seu falecimento (1758) já herdara a Casa da Atalaia. Ficou a dever a sua sobrinha, a sua sumptuosa sepultura no lugar mais nobre da Igreja Matriz do seu senhorio, isto é, na parede do lado do Evangelho. Actualmente o seu túmulo encontra-se sob o altar-mor.

Foram o Cardeal Patriarca e o Marquês de Tancos Provedores alternativos da Casa de Misericórdia (1588), que tinha um hospital anexo para os caminheiros e uma Casa para todos os religiosos que iam de passagem e que ali quisessem pernoitar, e que se encontra face ao palácio.

Tendo sido uma casa brasonada, um dos brasões foi entregue a D. Duarte de Atalaya por volta de 1935, outro poder-se-á ver incrustado numa das paredes da junta de Freguesia da Atalaia, e outro ainda, pertença de um particular, que foi possível admirar no Museu Arqueológico de Vila Nova da Barquinha.

A Casa do Patriarca está inserida numa região privilegiada em belezas naturais e arquitectónicas, ou não se desse o caso de pertencer a uma zona templária, onde as demarcações dos terrenos eram feitas com marcos onde a cruz templária estava esculpida.

Lenda ou não, a única referência templária nesta vila, é uma mina que se encontra entre a Igreja Matriz da Atalaia e a Capela do Senhor Jesus da Ajuda, mais propriamente no alto do Picoto onde se julga ter existido a torre templária da Atalaia e que se diz estar ligada a Tomar (ao convento) e ao Castelo de Almourol. No entanto, e porque esta vila não é destituída de misticismo, por opção, aqui viveu durante alguns anos e aqui foi sepultado em 1997 um Grão Mestre da Ordem do Templo, que dedicou a sua vida ao ideal templário.

Elaborado por Casa do Patriarca
Atalaia-1998